A chefe da Divisão de Inteligência do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do Tribunal de Justiça do Tocantins (NIS-TJTO), delegada Milena Lima, participou nesta quarta-feira (25/5) do Webinar Entendendo a ligação entre a “espiadinha” online e a violência doméstica, um evento realizado pelo Kaspersky, uma empresa privada que atua na proteção contra várias ameaças virtuais.

O evento, comandado por Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky no Brasil, também contou com a participação de Raquel Marques, presidente da Associação Artemis (que atua na prevenção e erradicação de todas as formas de violência contra as mulheres) e doutora em Saúde Coletiva pela Universidade de São Paulo (USP). Na pauta, os debatedores discutiram sobre os números da pesquisa “Stalking online em relacionamentos”, que revelou que um em cada 10 brasileiros já ouviu de seu parceiro ou parceira, o pedido para instalar um programa de monitoramento.

Monitoramento

Além disso, de acordo com Fabio Assolini, o estudo aponta que os dados não indicam um cenário positivo, pois uma parcela importante dos entrevistados (30%) acredita que é justificável realizar o monitoramento sem o consentimento da pessoa.

O levantamento aponta que 14% dos brasileiros acham normal fazer o rastreamento, enquanto 16% acreditam que ele é justificado apenas em certas circunstâncias, o que resulta no total de 30% de aceitação da prática. Entre as motivações usadas para explicar essa atitude, a pesquisa indica uma possível infidelidade (67%), questões de segurança (54%) e uma suspeita de atividade criminosa do parceiro.

Justificativa falsa

Durante o debate virtual, a delegada Milena Lima destacou que é comum os abusadores disfarçarem sua verdadeira intenção, dando a entender que a necessidade do monitoramento é por questões de segurança ou prova de confiança. “Essa é uma justificativa falsa, que é usada para manipular as vítimas de uma das formas que stalking pode ser praticado. É preocupante o número de pessoas que acabam se sujeitando a esse tipo de controle por desconhecer seus direitos e até mesmo por não se colocarem como vítima de abuso, um dos grandes gargalos no combate a violência doméstica”, pontuou.

A pesquisa “Stalking online em relacionamentos” foi realizada a pedido da Kaspersky pela empresa de pesquisa Sapio, no formato online, em setembro de 2021. O estudo analisou um cenário de 21 mil participantes de 21 países, incluindo o Brasil. A motivação da empresa na realização deste estudo e sua posterior divulgação também está relacionada com o segundo aniversário da Coalizão Contra o Stalkerware – entidade que visa combater esta ameaça digital da qual a Kaspersky é cofundadora.

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Texto: Samir Leão
Comunicação TJTO