O juiz auxilar da presidência do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) Océlio Nobre da Silva participou, no sábado (16/10), do quadro Onde Andará? do programa Coisa Nossa, apresentado pelos  jornalistas Luiz Armando Costa e Mariah Soares. De forma descontraída, ele falou um pouco sobre a vida de magistrado, família e sua paixão pela música.

Océlio Nobre fez uma breve avaliação sobre o ofício da magistratura. “Vida de juiz é uma vida bem complexa, muitas vezes incompreendida. O juiz sempre decide na solidão da sua existência, e tem que se enclausurar dentro de si para tomar a decisão que melhor atenda àquela ideia de justiça que ele tem. Isso traz uma carga, uma pressão psicológica muito grande; não pelas partes, mas pelo problema em si, porque muitas vezes o caso é delicado, está envolvendo a liberdade da pessoa, dúvidas se a pessoa é ou não é culpada”.

Sobre casos polêmicos e de repercussão, o magistrado disse que é preciso provocar as instituições a assumirem a responsabilidade social de suas atividades, seja uma igreja, um governo, ou uma empresa. “Eles têm uma responsabilidade social”.

Novo perfil do Judiciário

Na avaliação do juiz, o Poder Judiciário mudou. “Se você olhar o perfil do juiz de hoje, do desembargador, do ministro, é um perfil muito diferente do que era há quatro, cinco décadas. O Judiciário foi se abrindo para ouvir o sentimento da sociedade, porque na sentença, quando o juiz dá uma sentença, sentença não é só aquilo que a pessoa sabe, mas é também o que se sente, sentença vem de sentir. Não basta saber a lei, é preciso sentir, porque a lei é fria e é na aplicação da lei, na vida concreta das pessoas, onde é necessário pôr esse sentimento”, destacou.

Para o juiz, o Judiciário brasileiro, em termos de modernidade, de normativa, “ultrapassou o próprio Legislativo. O casamento homossexual não foi decidido no parlamento, foi decidido no Judiciário. Essa questão da dupla paternidade, a paternidade biológica convivendo com a paternidade socioafetiva, precisaria de uma lei ou o direito e a garantia fundamental, ou o princípio da dignidade da pessoa humana já contemplaria isso?”, questionou.

Violão e sanfona

Océlio Nobre também falou da importância da família em sua formação, do pai, hoje com 89 anos de idade e que o visita regularmente; da música e de sua paixão pela roça. “A magistratura não me transformou. Às vezes eu digo que eu saí da roça, mas a roça não saiu de mim, então eu sempre retorno ao meu lugar, para ouvir uma musiquinha, uma moda de viola, um Tião Carreiro, um rock, o Raul Seixas. Toco um violãozinho e agora o meu próximo desafio é a sanfona, lá na roça, lá no meu ranchinho, com meus filhos. É uma forma gostosa de passar o tempo, a música realmente é mágica”, disse.

A entrevista também mostra o juiz cantando e tocando a música “Capim Guiné”, de Raul Seixas e Wilson Aragão. Da edição exibida no sábado também participaram o músico Chico Fran e o poeta e escritor Zacarias Martins.

Confira a entrevista aqui

Texto: Ramiro Bavier

Comunicação TJTO